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O coração atento e a pérola de grande valor

  • 25 de jul.
  • 5 min de leitura

(17o Domingo do Tempo Comum - Ano A)

Parábola do tesouro escondido, Domenico Fetti, por volta de 1620
Parábola do tesouro escondido, Domenico Fetti, por volta de 1620

Leituras da Missa: 1 Rs 3, 5.7-12 ; Salmo 118/119 ; Rm 8, 28-30 ; Mt 13, 44-52


O Evangelho deste domingo coloca diante da nossa consciência duas parábolas de uma iminência impressionante: a do tesouro escondido num campo e a da pérola de grande valor. Em ambos os casos, a dinâmica espiritual é rigorosamente a mesma: o homem encontra algo de valor infinito e, na sua alegria, vai vender tudo o que possui para o adquirir.

Não se trata de uma renúncia estoica ou de um esforço moralista cansativo, mas de um deslumbre: só se deixa verdadeiramente algo quando se encontrou Algo Melhor. Para compreender esta dinâmica de atração, a primeira leitura vem iluminar a postura interior necessária para perceber este tesouro: a oração do jovem rei Salomão em Gabaão.


1. Salomão e o «coração atento»: a graça do discernimento

No início do seu reinado, quando Deus lhe propõe realizar o desejo da sua escolha, Salomão não pede longevidade, nem glória militar, nem riqueza. Consciente da sua incapacidade natural e do peso da sua missão, pede um coração atento, ou «um coração que escuta», lev shomea (לֵ֤ב שֹׁמֵ֙עַ֙), em hebraico, para saber discernir o bem e o mal.

A maioria dos nossos fracassos espirituais e das nossas angústias quotidianas não provém de uma má vontade drástica, mas de uma falta de discernimento, porque confundimos frequentemente o que é urgente com o que é essencial, o que brilha com o que nutre. Salomão compreende que a maior pobreza humana é a cegueira do coração. Pedir o discernimento é suplicar a Deus que nos dê o Seu olhar sobre a nossa própria vida, a fim de não desperdiçarmos as nossas forças com aquilo que não sacia.


2. O tesouro e a pérola: a alegria do encontro

O Evangelho apresenta-nos dois perfis. Por um lado, o homem que trabalha num campo e que, sem o esperar, tropeça num tesouro escondido: é a experiência da Graça soberana, Deus que penetra e invade o nosso quotidiano, as nossas rotinas, na curva de um evento improvisado. E, por outro lado, Jesus apresenta-nos um negociante que procura ativamente pérolas finas: é o homem em busca de sentido, o pesquisador da verdade que não se contenta com respostas superficiais.

A particularidade destes dois relatos é que, para ambos os casos, a virada produz-se no momento da descoberta; de fato, o texto bíblico precisa: «Na sua alegria, vai vender tudo o que possui». Este relato permite-nos acentuar um aspecto muito importante que devemos recuperar, porque estava perdido: o cristianismo não é um sistema de proibições ou de privações arbitrárias, mas é a experiência de um deslumbre, encanto, admiração. Enquanto não tivermos encontrado o Cristo como o Tesouro absoluto da nossa existência, as nossas renúncias permanecerão estéreis, amargas e frágeis. O cristianismo é a alegria de ter encontrado o Amor que torna possível o desapego de todo o resto.


3. A lógica do essencial e a rede lançada ao mar

O Reino dos Céus exige, contudo, uma decisão: não se pode guardar o tesouro recusando comprar o campo, do mesmo modo que não se podem conservar todas as antigas pedras quando se encontrou a pérola única. São Paulo confirma-o na segunda leitura de hoje, da carta aos Romanos: tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus, porque estão destinados a ser configurados à imagem do seu Filho. Esta configuração exige uma poda, um corte, como ouvimos na quinta-feira passada.

Jesus conclui o seu ensinamento com a parábola da rede lançada ao mar, que recolhe toda a espécie de peixes. É a imagem da Igreja e do mundo presente, onde o bom e o mau se cobrem e convivem inevitavelmente até ao fim dos tempos, à imagem do que meditamos no domingo passado: a triagem final não pertence aos nossos julgamentos apressados, mas à soberania divina. No entanto, isso lembra-nos que o nosso tempo na terra é um tempo de provação e de escolha consciente; portanto, não podemos permanecer indefinidamente na neutralidade ou no compromisso.


4. Do novo e do antigo: a maturidade do discípulo

«Compreendestes tudo isto?» pergunta Jesus aos seus discípulos. O seu «Sim» audacioso abre para a última imagem: o escriba tornado discípulo do reino, capaz de tirar do seu tesouro coisas novas e coisas antigas.

O fim deste Evangelho ensina-nos que a experiência da fé não destrói a nossa história, a nossa cultura ou as nossas verdades passadas: vem iluminá-las, purificá-las e cumpri-las. O homem que encontrou o Cristo não rejeita a Antiga Aliança ou os fundamentos da sua vida; contempla-os doravante à luz da Revelação. Na vida espiritual, nada é rejeitado e ainda menos reciclado, mas tudo é resgatado no homem novo à imagem de Cristo. A maturidade cristã, então, consiste precisamente em saber harmonizar a fidelidade à Tradição com a novidade sempre fresca do Espírito Santo.


Conclusão e aplicação para o nosso dia

Irmãos e irmãs, a pergunta central que a Liturgia deste domingo coloca à nossa existência é simples: Qual é o verdadeiro tesouro do meu coração?

É tão fácil passar a vida a acumular pérolas de segunda categoria: a necessidade de reconhecimento, a busca de segurança material, o controle sobre os acontecimentos ou o apego às nossas próprias certezas. Tudo isso nos dá a ilusão da riqueza, mas na verdade deixa-nos o coração a seco, sem nenhum fruto que permaneça.

Peçamos neste dia, após a participação na Missa, a Graça de um coração atento. Tiremos um momento de silêncio para avaliar os nossos apegos: o que me impede de adquirir plenamente a alegria do Evangelho? Qual é esse «tudo» que devo aceitar vender — esse hábito, esse ressentimento, esse projeto egocêntrico — para possuir a única coisa que não passa? A santidade não é uma questão de perfeição moral heroica realizada pelas nossas próprias forças, mas é a audácia de tudo apostar em Jesus Cristo.

Como escrevia a grande mestra da vida espiritual nas suas meditações sobre a interioridade: «Não busquemos outras razões para compreender as coisas escondidas de Deus... Quem a Deus tem, nada lhe falta: Só Deus basta» (Santa Teresa de Ávila, Poesias, «Nada te turbe»).


Oração

Senhor meu Deus, dá-me hoje esse coração inteligente e atento que Concedeste a Salomão. Livra-me da cegueira espiritual que me faz correr atrás de ilusões e gastar a minha vida com o que não sacia. Abre os olhos da minha alma para que eu reconheça no Teu Filho, Jesus, a pérola de grande valor e o tesouro escondido da minha existência. Concede-me a alegria profunda da renúncia santa, a liberdade de tudo deixar para Te seguir sem reservas. Faz com que a minha vida, configurada à imagem do Teu Filho, se torne o reflexo da Tua glória e o testemunho do Teu amor. Amém.

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Padre Saulo de Tarso

Sou Saulo de Tarso. Através deste blog pessoal, desejo compartilhar com vocês minha paixão pelas Escrituras, teologia e filosofia. Entre meus estudos e meu trabalho, este site é um espaço para aprofundar meu conhecimento de Jesus Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Aqui vocês encontrarão meditações e reflexões diárias para nutrir sua vida espiritual.

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