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A verdade salva pela caridade: do gemido do profeta ao perdão do irmão

  • 11 de ago.
  • 3 min de leitura

(Quarta-feira, 12 de agosto, 19ª Semana do Tempo Comum)

Leituras da Missa: Ez 9, 1-7 ; 10, 18-22 ; Sl 112 (113) ; Mt 18, 15-20


A Igreja nos faz atravessar a memória da salvação como uma pedagogia viva. No último domingo, a liturgia nos deixava contemplar o Senhor caminhando sobre as águas, convidando-nos a colocar os nossos pés sobre as tempestades do mundo sem desviar o olhar d'Ele. Essa certeza da Sua presença no meio das nossas tempestades interiores ilumina toda a nossa semana; ela nos prepara para enfrentar as provações reais da nossa vida comunitária e fraterna.


1. O gemido dos justos diante do mal

Na primeira leitura, do livro do profeta Ezequiel, Deus ordena ao homem vestido de linho que marque com uma cruz na testa «aqueles que gemem e choram por causa de todas as abominações» cometidas no meio do povo. É um texto forte, vigoroso, quase terrível, que nos revela o olhar de Deus sobre o pecado. A marca na testa — o Tau hebraico, prefiguração da Cruz — não é concedida aos perfeitos ou aos orgulhosos que julgam os outros do alto da sua virtude, mas é colocada sobre aqueles cujo coração sofre verdadeiramente com o mal, sobre aqueles que se recusam a se acostumar com a injustiça e com a morosidade espiritual.

Este texto nos ajuda a compreender que o drama do mundo não é apenas a presença do pecado, mas também a anestesia das consciências. Ezequiel nos mostra que o primeiro ato de resistência espiritual consiste em não nos resignarmos ao mal, e em levá-lo na oração com uma dor amorosa.


2. O Evangelho: a arte divina de reerguer o irmão

Mas o Senhor não nos deixa no gemido do profeta. No Evangelho de hoje, Jesus faz essa lógica dar um passo decisivo: a dor diante do mal não deve se transformar em condenação estéril, mas em um processo de cura fraterna.

Observem a delicadeza absoluta de Cristo: «Se o teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o a sós». A verdade sem a caridade torna-se crueldade, enquanto a caridade sem a verdade é covardia. Jesus nos ensina uma pedagogia da discrição. Ele nos pede que vamos ao encontro do irmão sem destruir a sua reputação, sem expor as suas feridas aos olhos do mundo: trata-se de salvar a relação, de reerguer a pessoa, e não de ter razão.


3. A Igreja, espaço de reconciliação e de presença

Quando o diálogo direto não é suficiente, Cristo convida a envolver a comunidade. A Igreja não é um tribunal de juízes perfeitos, mas um hospital de campanha onde a oração comum tem o poder de desligar o que está acorrentado na terra.

Santo Agostinho lembrava com profundidade que, se a Igreja às vezes isola aquele que se recusa a escutar, não é por uma rejeição vingativa, mas para suscitar nele o desejo do arrependimento, a fim de que aquele que caiu volte à vida. É aí que reside a força inaudita da promessa final de Jesus: «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali no meio deles». Cristo não reside nas nossas certezas isoladas; Ele se faz presente no nó das nossas relações reconciliadas.


Conclusão e aplicação para o nosso dia

Não deixemos que as decepções ou as ofensas endureçam o nosso coração hoje. Se sofremos com o comportamento de um parente, de um colega ou de um irmão na fé, não cedamos à armadilha dos murmúrios ou dos julgamentos anônimos.

Peçamos a graça de imitar o Senhor: tenhamos a coragem da verdade, revestida da doçura da caridade. Ganhar um irmão vale muito mais do que ganhar uma discussão! Busquemos hoje dar o primeiro passo em direção à paz, mantendo os olhos fixos na presença de Cristo que habita no meio de nós.


Oração

Senhor Jesus, Tu conheces a fragilidade do meu coração e a dificuldade que sinto em perdoar ou em dizer a verdade com amor. Liberta-me do rancor que destrói e da covardia que se cala diante do mal.

Dá-me um coração capaz de gemer pelas minhas próprias faltas e de ter compaixão pelas dos meus irmãos. Faz de mim um instrumento da Tua paz, para que, onde houver divisão, eu leve a reconciliação, convicto de que Tu estás sempre presente quando nos amamos em Teu Nome. Amém.

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Padre Saulo de Tarso

Sou Saulo de Tarso. Através deste blog pessoal, desejo compartilhar com vocês minha paixão pelas Escrituras, teologia e filosofia. Entre meus estudos e meu trabalho, este site é um espaço para aprofundar meu conhecimento de Jesus Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Aqui vocês encontrarão meditações e reflexões diárias para nutrir sua vida espiritual.

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