A potência escondida no que é pequeno
- 26 de jul.
- 4 min de leitura
(Segunda-feira da 17a Semana do Tempo Comum)

Leituras da Missa: Jr 13, 1-11 ; Cântico (Dt 32) ; Mt 13, 31-35
Acabamos de sair do domingo em que o Evangelho nos chamava a discernir o tesouro escondido e a pérola de grande valor. Se o Cristo é esse tesouro de um valor inestimável, como a graça opera concretamente no nosso quotidiano mais ordinário? É a esta pergunta que responde a liturgia desta segunda-feira.
Na primeira leitura, assistimos a uma cena profética desconcertante: Deus pede a Jeremias para comprar um cinto de linho, de o levar contra a sua carne e, depois, de o ir esconder na fenda de uma rocha junto ao Eufrates; quando o vai desenterrar muito tempo depois, o cinto está podre, fora de uso. Este cinto representava o apego íntimo que Israel devia ter para com Deus: estar colado a Ele como uma veste sobre a pele. Mas o orgulho estragou tudo: quando o homem escolhe afastar-se da fonte da vida para se esconder nas suas próprias seguranças, ele apodrece, decompõe-se espiritualmente. O Evangelho de hoje apresentará a solução para o nosso orgulho: a humildade do Reino.
Em frente a esta ruína provocada pelo orgulho humano, Jesus apresenta-nos no Evangelho a dinâmica inversa, isto é, a lógica do Reino que se manifesta pela humildade da Encarnação.
1. A ilusão da grandeza humana e a fidelidade de Deus
A imagem do cinto gasto põe em luz a nossa tentação permanente, a da autossuficiência, de acreditar que o nosso valor repousa sobre as nossas próprias forças, sobre a nossa reputação ou sobre o nosso orgulho. Ora, o linho é uma matéria nobre, sagrada, destinada às vestes sacerdotais; e nós sabemos que o ser humano é criado para uma intimidade tecida estreitamente com o seu Criador, como quem «ata um cinto ao redor dos rins». E, no entanto, preferimos frequentemente enterrar-nos em rochas áridas, longe da presença divina, julgando assim preservar a nossa autonomia, quando na realidade se acaba por servir a falsos deuses.
O resultado é inevitável: separados da graça, separados da fonte da vida, a nossa natureza apodrece, tornamo-nos incapazes de amar, ficamos fora de uso. E tudo isso em consequência de não termos um coração como o de Salomão – que ouvimos na primeira leitura de ontem: um coração atento, um coração que escuta –, de fato a primeira leitura de hoje termina com Deus a dizer: «Mas elas não escutaram».
Mas a resposta de Deus à nossa decomposição não é a destruição, mas, como já dissemos, é a humildade da Encarnação: para curar o nosso orgulho gigantesco, Deus escolhe a via do infinitamente pequeno. Como lembrava Santo Agostinho a propósito do Salmo 101, Deus fez-se pobre para vir buscar o que estava perdido, abaixando a Sua grandeza para nos alcançar na nossa miséria.
2. A lógica do grão de mostarda: a graça age no incalculável
Diante dos grandes ruídos do mundo e dos desabamentos das nossas certezas, Jesus, no Evangelho de hoje, compara o Reino dos Céus a uma semente de mostarda. É a menor de todas as sementes, tão pequena, a olho nu, que parece insignificante. E, no entanto, carrega em si uma potência de vida capaz de se tornar uma árvore onde as aves vêm fazer os seus ninhos.
Na nossa vida espiritual, esperamos frequentemente grandes manifestações, iluminações espetaculares, transformações radicais e imediatas… Mas o Deus de Jesus Cristo age por sepultamento: esta potência de vida do grão de mostarda deve ser enterrada, sepulta-se na terra; e o fermento esconde-se na farinha. Traduzindo todas estas coisas para a nossa vida concreta, isso significa que a vida divina em nós começa por um perdão silencioso, um gesto de paciência imprevisto, uma fidelidade invisível no nosso trabalho e nos momentos de oração oferecida mesmo na secura. Nunca desprezemos estes minúsculos começos.
3. Deixar amadurecer a árvore para abrigar os outros
A parábola não para no grão de mostarda, continua descrevendo o seu desdobramento. A árvore torna-se grande o suficiente para oferecer um abrigo às aves do céu: é a isso que se compara toda a crescimento espiritual autêntica. A fé não é um tesouro que se guarda zelosamente para a sua perfeição pessoal. Uma vida interior que cresce torna-se naturalmente um espaço de acolhimento para o repouso, as dúvidas e as dores das pessoas que nos rodeiam.
São João da Cruz sublinhava-o com grande clareza: a alma que quer avançar para Deus deve aceitar a nudez dos sentidos e esvaziar-se da busca dos grandes efeitos extraordinários, pois é nesta pobreza nua que a potência da fé dá o seu fruto mais abundante (cf. Subida do Monte Carmelo, Livro I, capítulo 11). Quando cessamos de querer parecer grandes, deixamos enfim a graça de Deus crescer em nós.
Conclusão e aplicação para o nosso dia
Hoje, não procuremos realizar coisas brilhantes para provar o nosso valor ou a nossa santidade. Olhemos antes onde se encontra a pequena semente de mostarda que o Senhor quer semear no nosso dia:
Aprendamos a escolher a discrição de um serviço prestado sem procurar ser notado;
Concedamos uma escuta atenta e benevolente a uma pessoa cansada, tornando-nos para ela esse abrigo sombreado de que fala o Evangelho;
E quando nos sentirmos secos ou incapazes de belos pensamentos, ofereçamos simplesmente a nossa presença silenciosa ao Senhor. Não é a força dos nossos sentimentos que faz crescer o Reino, mas a fidelidade de Deus que frutifica na nossa pequena paciência.
Oração
Senhor Jesus, Tu conheces o meu orgulho e esta mania que tenho de querer sempre medir, controlar e parecer grande. Hoje, apresento-Te a pobreza do meu coração, semelhante a este pequeno grão de mostarda.
Livra-me do medo de ser insignificante aos olhos do mundo. Esconde a Tua Palavra no mais profundo dos meus dias, no silêncio das minhas tarefas ordinárias. Faz crescer em mim a Tua caridade, doce Jesus, para que a minha vida não seja um cinto ressecado pelo egoísmo, mas uma árvore acolhedora onde os meus irmãos e irmãs poderão encontrar um pouco do Teu repouso e da Tua paz. Amém.





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